“UM ANIMAL": Diplomacia mundial fica pasma com declaração de Eduardo

Eduardo Bolsonaro acena com a volta da ditadura militar em caso de
radicalização da esquerda Imagem: Agência Brasil
(Blog do Jamil Chade) – As declarações do deputado Eduardo Bolsonaro sobre um novo AI-5 deixam governos estrangeiros e a diplomacia internacional pasmos e preocupados com a situação no Brasil. Se a avaliação é de que o recurso à repressão faz parte de uma estratégia de comunicação com a base do eleitorado, o temor no exterior é de que a retórica cada vez mais extremada saia do controle ou que seja encampada por alas mais reacionárias.

Por enquanto, as sempre cuidadosas chancelarias estrangeiras evitam declarações públicas. Na ONU, a cautela é para evitar que uma condenação oficial aprofunde ainda mais o radicalismo da família Bolsonaro e que relatores ou certos departamentos passem a ser vistos por Brasília como "inimigos", impossibilitando seus trabalhos.

Isso não afasta, porém, o clima de inconformidade nos bastidores diante das declarações e a preocupação com o caráter do grupo no poder. O que muitos querem saber é se a declaração tem algum respaldo, ainda que sigiloso, dentro das estruturas de poder.

Um experiente mediador de conflitos como Síria ou Iemen acredita que não haveria espaço para tal ato hoje no Brasil. "Mas o que não podemos é de nos dar ao luxo de ver tal proposta ser declarada publicamente, sem uma reação de condenação", disse. "Vocês estão brincando com fogo", insistiu.

Para outro representante de alto escalão da ONU, com tensões no Chile, Haiti, Bolívia, Líbano, Espanha e tantos outros lugares, o cenário internacional não poderia comportar mais um foco de instabilidade como uma eventual crise institucional no Brasil.

Em certos gabinetes a ONU, o comportamento do filho do presidente foi levado à sério. "Não temos o direito de simplesmente ignorar repetidas ameaças feitas por um político com influência numa região", comentou um deles.

Parte da reação, porém, foi também de tristeza. Numa capital sul-americano, um embaixador foi contundente: "jamais pensei que iria caminhar para o fim de minha carreira ouvindo tais absurdos vindos do Brasil".

Em outro governo, um ex-ministro optou por uma reação de tristeza. "Tantos de nós admirávamos o Brasil. É muito tristeza tudo isso. É um animal". Um ex-vice-chanceler de um país latino-americano não media palavras ao ouvir o vídeo da entrevista de Eduardo Bolsonaro. "Insanidade. Isso é real?", perguntou. "O mundo navega por mares turbulentos", lamentou.

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