MUSICOTERAPIA: Terapia de dó, ré, mi, fá

Além do propósito terapêutico, a música incentiva aspectos como a independência, criatividade, coletividade e concentração, bem como fomenta o desenvolvimento do gosto estético e da expressão artística. No Brasil, desde 2017, a musicoterapia está presente na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PICs) do Sistema Único de Saúde (SUS)

Com proposta terapêutica, Projeto Som Azul ensina música para alunos
com autismo. Foto: Cícero Oliveira
Por Williane Silva

(Agecom/UFRN) – A música e a saúde são antigas parceiras da humanidade, visto que um dos registros mais antigos dessa relação é datado de 3 mil anos antes de Cristo, nos papiros de Lahun. Também conhecida como papiros de Kahun, a coleção de escritos de linguagem hierática foi encontrada por Flinders Petrie, em 1889, no Egito.

Além de problemas matemáticos, o material contém observações médicas utilizadas no Antigo Egito para tratar problemas ginecológicos e obstétricos, como métodos de diagnóstico de gravidez, determinação do sexo do bebê, receita de contraceptivo, bem como escritos sobre a influência da música sobre o corpo humano.

De acordo com a publicação La importância de la mujer e la história de la musicoterapia. Desde la Antigüedade al Barroco, de Ignacio Cale Albert, o papiro mostra como a música foi utilizada para propiciar a fertilidade feminina, descrevendo o rito com uma massagem no ventre da mulher, ao som de um tipo de chocalho, com a invocação da deusa da música e da fertilidade, Hathor.

Ao atrelar o uso do som, ritmo, melodia e harmonia para melhorar a qualidade de vida, nos inserimos no campo da musicoterapia. Para um de seus precursores na América Latina, Rolando Benenzon, a teoria estuda “o complexo som-ser humano-som, para utilizar o movimento, o som e a música, com o objetivo de abrir canais de comunicação com o ser humano, para produzir efeitos terapêuticos, psicoprofiláticos e de reabilitação no mesmo e na sociedade”.

No Brasil, desde 2017, a musicoterapia está presente na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PICs) do Sistema Único de Saúde (SUS). Dessa forma, esse tipo de terapia atua na reabilitação física, mental e social de indivíduos ou grupos, podendo empregar instrumentos musicais, canto e ruídos para tratar pessoas com distúrbios da fala ou da audição, na reabilitação motora, no auxílio a estudantes com dificuldade de aprendizado, na melhoraria da qualidade de vida de idosos e pacientes de doenças crônicas, entre outras diversas aplicações.

Além do propósito terapêutico, a música incentiva aspectos como a independência, criatividade, coletividade e concentração, bem como fomenta o desenvolvimento do gosto estético e da expressão artística. Nessa perspectiva e com foco na educação musical, desde 2011, o programa de extensão Esperança Viva, da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN), tem como principal proposta promover inclusão por meio da música. Continue lendo...

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