PESQUISA: Cursinho da UFRN prepara estudantes da rede público de ensino para o ENEM

Max de Melo estudou no Proceem e hoje é professor da disciplina de
Biologia/Crédito das fotos: Fotos: Anastácia Vaz.
Por Pedro Lúcio de Carvalho

O Programa Complementar de Estudos Para Estudantes do Ensino Médio (Proceem) foi criado com o objetivo de ampliar as expectativas e as oportunidades de acesso ao Ensino Superior. Destacando-se como o curso preparatório gratuito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

No começo, em 2005, o programa funcionava em parceria com a Secretária Estadual de Educação e Cultura (SEEC). Era ela que definia quais escolas receberiam as aulas. Funcionou nesse formato até 2010, quando, por questões logísticas, o Proceem foi trazido à UFRN com a intenção de otimizar as vivências pedagógicas dos alunos de licenciatura que estavam no projeto.

Em seu formato atual, o Proceem atende estudantes da Rede Pública de Ensino de Natal e Região Metropolitana. São quatro turmas pela manhã, no Centro de Educação, e duas à noite, no Setor I, com um total de 280 atendidos. As aulas são ministradas por 13 bolsistas remunerados, todos dos cursos de licenciatura da UFRN. A supervisão, responsável por toda a logística das aulas, também é feita por bolsistas. No momento são quatro, mas diferente dos ministrantes, as vagas são abertas a todos os cursos.

Os alunos são selecionados por editais lançados anualmente. Dada a alta procura - só no último processo foram 1339 inscrições para 280 vagas - foi necessária a criação de afunilamentos. Por isso, os candidatos ao Proceem devem ter concluído o ensino médio em escola pública e, preferencialmente, já ter feito o Enem. Os interessados são classificados de acordo com a média de notas no histórico do ensino médio ou pela nota obtida no Enem, fica a critério do inscrito.

Essa demanda altíssima pode ser explicada pelos resultados dos anos anteriores. Em 2018 foram 160 estudantes, divididos em quatro turmas, sendo 96 deles aprovados nas duas primeiras chamadas regulares do Sistema de Seleção Unificado (Sisu) de 2019. Houve alunos aprovados nos cursos mais concorridos da UFRN, como Medicina, Direito, Engenharia Civil, Arquitetura, Psicologia e Jornalismo.

A Rede Pública de Ensino enfrenta diversas dificuldades. Orçamento, pessoal e infraestrutura estão entre as principais. Iniciativas como o Proceem possibilitam aos egressos das escolas públicas alçarem voos maiores. “Eu tinha tentado entrar em anos anteriores, mas não tinha conseguido. Agora que entrei creio que vai me ajudar bastante a conseguir a vaga no curso que eu quero”, conta Estephany Alves, que veio da Escola Estadual União do Povo e sonha fazer Psicologia na UFRN.

No curso eu já aprendi muita coisa que não tinha visto no ensino médio. Não tive acesso a muitas disciplinas como física, era tudo muito escasso na minha época. Talvez tenha sido essa precariedade que me impediu de conseguir a nota. Por isso recorri ao Proceem”, complementa Estephany.

Em outro caso, depois de um “resultado catastrófico” no Enem, como ele mesmo fala, Max de Melo teve a oportunidade de entrar no Proceem. “Fiz o curso o ano todo, tive um avanço significativo, inclusive foi o que me trouxe para a Universidade”. Max hoje é professor de Biologia no cursinho e complementa: “eu me sinto muito gratificado em estar aqui novamente, é como se eu estivesse retribuindo o que já fizeram por mim um dia”.

O Proceem vai além de seu papel social e pedagógico com seus alunos, servindo também como importante ambiente para a formação dos seus bolsistas. “No ano passado, tivemos greve nas escolas. Com isso o coordenador da licenciatura de História nos procurou, pois havia seis alunos do curso, não vinculados ao Proceem, que ficaram impossibilitados de fazer a disciplina de estágio. Do pronto, viabilizamos para eles darem aulas e, além do estágio, o trabalho de conclusão de curso foi relatando essa experiência”, conta Jucimar França, coordenadora do Proceem.

"Creio que vai me ajudar a conseguir a vaga no curso”, conta Estephany Alves.
Com os avanços da Pró-reitoria de Graduação (Prograd), os diversos programas de docência cresceram. Surgiu a necessidade da criação de um evento que abarcasse todas essas iniciativas. Foi então criado o Encontro Integrado de Programas de Ensino (EIPE). Nesse evento são apresentados os artigos e relatos de experiência dos professores do Proceem, sempre com o objetivo de aprimoramento do programa e incentivo à produção acadêmica por parte dos bolsistas.

Ao falar da importância do programa para os bolsistas, Nayara Xavier, professora de redação, foi enfática. “Gosto muito do Proceem. Aqui temos bastante autonomia, podemos construir nossas aulas, os alunos reconhecem a importância do programa, de estarem inseridos em uma universidade pública federal e de entender como a política interfere no programa. Se corta verba, diminuem-se bolsas e, consequentemente, turmas”.

No Proceem, a lógica na relação entre os colegas é a humanização. Um apoia o outro rumo a melhores resultados. “Eu sempre falo para os alunos que aqui tem uma característica única: a empatia. Enquanto em outros cursinhos é incentivada a competição e o colega é sempre um concorrente direto, aqui a gente entusiasma que eles se apoiem”, complementa Nayara.

Com todos esses impactos positivos em diversos níveis, o objetivo da atual gestão do programa é expandir. “A Universidade está investindo na iniciação à docência e estamos tendo bons resultados da experiência do Proceem. Por isso, quero bolsistas para viabilizar mais turmas. É doloroso ver que mais de mil alunos ficaram de fora”, completa Jucimar.
Agência de Comunicação da UFRN.

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