EXÉRCITO: Catador correu para salvar criança de carro fuzilado, diz viúva

Reprodução.
O catador de papel Luciano Macedo, de 27 anos, morreu no início da manhã desta quinta-feira, 18, no Hospital Carlos Chagas, na zona norte, onde estava internado desde o último dia 7. Macedo foi atingido por três tiros nas costas por militares do Exército que mataram também, na mesma ação, o músico Evaldo Rosa, de 46 anos.

O carro de Evaldo, que levava o sogro, a mulher, o filho e uma amiga da família para um chá de bebê, foi atingido pelo Exército com 80 tiros. Supostamente, os militares confundiram o carro com o de um bandido. Ao tentar socorrer a família, Macedo acabou também sendo ferido. Nove militares estão presos.

A viúva de Macedo, Daiane Horrara, de 27 anos, que está grávida de cinco meses e estava no local no dia do crime, contou que, quando o marido viu que havia uma criança no banco de trás do carro, correu para salvá-la e conseguiu tirá-la de dentro do veículo.

Na tarde do domingo, dia 7, a família seguia para um chá de bebê. Ao passar por uma patrulha de militares do Exército, em Guadalupe, na zona norte, o carro - supostamente confundido com o de bandidos - foi alvejado por mais de 80 tiros sem qualquer tentativa prévia de identificação dos passageiros.

Atingido, Evaldo caiu sobre o volante. Seu sogro, que estava no banco do carona e também foi ferido, conseguiu parar o carro. Foi então que a mulher de Evaldo, Luciana, que viajava no banco de trás com a amiga e a criança, saiu do carro correndo e gritando por socorro. Luciano e a mulher Daiana estavam na beira da via recolhendo pedaços de madeira para construir uma casa na comunidade vizinha.

"Quando ele viu a mulher correndo e a criança no banco de trás do carro, ele saiu correndo e tirou a criança lá de dentro", contou Antonio Carlos Costa, da ONG Rio da Paz, que está dando apoio à família do catador e conversou com Daiana. "Ela (Daiana) me contou que ele era muito ligado em criança, por isso correu para salvá-la".

Ainda segundo o relato de Daiana, depois de deixar a criança a salvo, Luciano voltou ao carro para tentar socorrer Evaldo. Foi então atingido pelas costas com três tiros. Ele caiu no chão, agonizando, e chamou pela mulher. Daiana conta que o tirou do sol, arrastando-o para uma área de sombra. Um soldado do Exército se aproximou, fuzil em punho, e, em vez de socorrê-lo, ordenou a Daina que se afastasse do marido.

"Foi como se tivessem me quebrado os dois braços e as duas pernas", comparou Daiane em seu depoimento a Antônio. "Ele era meu companheiro, meu amigo, fazia todas as minhas vontades, vivia beijando a minha barriga. Seu maior sonho era ver o rosto do filho".

Para Antonio Carlos, o Estado errou seguidas vezes no caso. "O tratamento que o Exército deu ao caso é lastimável", afirmou. "O Exército errou ao atirar em alguém que tentava ajudar uma família, errou ao ver a vítima em agonia no chão e não prestar socorro, e errou ainda ao ignorar o sofrimento da família", resumiu. Continue lendo...

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