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SAÚDE: Intervenção terapêutica ocupacional em contextos hospitalares

Terapia ocupacional - Divulgação.
Por Lady Kelly Farias da Silva
Terapeuta Ocupacional - Casa Durval Paiva

Quando falamos de câncer, estamos nos referindo a um problema de saúde pública no Brasil e que compreende um grupo de várias doenças que tem em comum a multiplicação de células, de forma descontrolada e que podem acometer qualquer local do organismo.

Na infância, os tipos mais comuns são: os relacionados ao sistema nervoso central, linfomas, leucemias, osteossarcomas, neuroblastoma, dentre outros. O que vai determinar como o tratamento se dará, será o tipo de câncer, a idade do paciente e se a intervenção foi iniciada precocemente ou não. Durante o processo de intervenção, as crianças passam por diversos procedimentos, e estes, são na maioria das vezes invasivos e dolorosos, que ocorrem com certa frequência e interferem diretamente na recuperação do quadro clínico.

A intervenção pode ser realizada por anos, com frequentes internações, além de proporcionar efeitos adversos, como baixa imunidade e predisposição a infecções, dentre outros. É comum, nessa fase, acontecer algumas alterações e interferências no desenvolvimento da criança, pelo rompimento da sua vida nos mais diferentes aspectos, como a rotina, que foi completamente modificada, o afastamento da escola, a separação dos pais, irmãos, amigos e ainda precisar se ausentar das brincadeiras, principal ocupação infantil.

E quando falamos em hospitalização, consideramos o impacto que esse momento causa na criança e em seu contexto familiar, neste caso, a necessidade de ter um olhar globalizado se torna imprescindível, de forma que envolva, não somente os aspectos médicos, mas também as questões sociais e emocionais. Dessa forma, é imprescindível que o período de internação seja pautado pela humanização e integralidade do cuidado à criança.

O terapeuta ocupacional pode favorecer o mínimo de impactação durante essa fase, junto à criança com câncer, auxiliando na organização do cotidiano, buscando atividades significativas, no tratamento da fadiga, autoestima, autoconfiança, estabelecendo metas e expectativas, ajudando a manter sua vida social, para que mesmo durante o processo de tratamento, o atendimento vise o acolhimento humanizado, tanto para a criança, quanto para os familiares, que estão diretamente envolvidos no método terapêutico.

A prática da terapia ocupacional no contexto hospitalar é importante devido à visão que se tem na adaptação do cotidiano das crianças e de seus familiares, intervindo na retomada de atividades ocupacionais que são essenciais nessa fase da vida, como o brincar e a educação.

Na vivência terapêutica ocupacional com os pacientes assistidos pela Casa de Apoio Durval Paiva, é possível intervir minimizando os efeitos que a internação pode proporcionar, favorecendo um meio humanizado, criando espaços mais sociáveis e menos angustiantes, utilizando recursos lúdicos e atividades, considerando a história, os valores, respeitando a singularidade de cada criança, além de intervir nas atividades cotidianas, onde a independência pode ter sido afetada em função do estado clínico, como as limitações clínicas até as questões emocionais, comprometendo diretamente algumas áreas de ocupação das crianças, neste caso, o terapeuta ocupacional cria condições para promover a autonomia e participação da criança através de recursos terapêuticos.

Os recursos utilizados são os lúdicos, como jogos, livros, uso do ‘faz de conta’, com intuito de auxiliar na mudança de comportamento da criança, como por exemplo, a diminuição da ansiedade frente aos procedimentos que realizará, além de permitir sair do foco da hospitalização, já que a brincadeira possibilita descobrir o mundo, o resgate do prazer, da criatividade, da expressão, facilitando a adaptação psicossocial da criança ao processo de adoecimento, possibilita ainda a expressão de pensamentos e sentimentos sobre o momento vivenciado, oferece escuta e suporte terapêutico e estimula o resgate de habilidades.

Através do brincar, a criança expressa seus sentimentos, medos, angústias, desejos, relacionados ao processo de hospitalização e a sua vida, favorecendo o desenvolvimento infantil no momento em que se encontra no contexto hospitalar, assim como, continua evoluindo suas habilidades motoras, cognitivas e psicossociais de uma forma prazerosa e muito mais agradável. O acolhimento, a escuta, a criação de vínculo, também são fundamentais para a integralidade da saúde da criança e de seus familiares.
Assessoria de comunicação

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