ECOLOGIA: UFRN participa do projeto nacional para a reintrodução da ararinha-azul a natureza

Cedida Projeto| Espécie entrou para a lista de animais
mais ameaçados de extinção do planeta
Por Ana Laura Freire


O azul das ararinhas misturava-se ao do céu da Bahia em meados do século XVII. A Cyanopsitta Spixii, ou ararinha-azul-de-Spix, fazia seu ninho nas copas das caraibeiras, árvores típicas da caatinga brasileira. Mas, ainda nessa época, os primeiros colonizadores que chegaram ao Vale do São Francisco destruíram seu habitat natural, quando queimaram as florestas para a exploração da pecuária extensiva.

A destruição da mata durante pelo menos três séculos foi somada à construção da barragem de Sobradinho na Bahia e ao tráfico da espécie. Os eventos não poderiam trazer consequências piores: a possível extinção da ararinha-azul da natureza. O último relato de aparição da ararinha-azul voando livremente foi no ano 2000.

A espécie entrou para a lista de animais mais ameaçados de extinção do planeta. Para tentar preservar a ararinha-azul e devolvê-la à natureza, foi lançado em 2012 o Projeto Ararinha na Natureza. O projeto tem a participação do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação da Ararinha-Azul, que preserva a espécie em cativeiro, trabalhando para que ela volte a voar na Caatinga de Curaçá, na Bahia. A coordenação é do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que atua em parceria com ONGs e universidades, entre elas, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Na UFRN, a equipe que auxilia o projeto é formada por quatro pessoas: o professor do Departamento de Ecologia Eduardo Venticinque; o doutorando em Ecologia Paulo Henrique Marinho; o estudante da graduação em Biologia Raul Santos; e a graduanda em Ecologia Maria Luiza Falcão.


Foto: Wallacy Medeiros| Doutorando em Ecologia Paulo Henrique Marinho
participa do Projeto Ararinha na Natureza 
A contribuição do grupo consiste em pesquisar quais mamíferos podem auxiliar na reintrodução da ararinha-azul e auxiliar a conservação dos habitats dessas aves. ‘’A gente tentou entender quais espécies de mamíferos convivem em harmonia com as ararinhas-azuis e onde elas estão distribuídas na paisagem’’, explica Paulo Henrique Marinho.

Atualmente, há três criadouros de ararinhas-azuis no mundo: em Singapura, no Brasil e na Alemanha. O de Singapura é um zoológico onde os animais são expostos para captar recursos a fim de manter as atividades do local. No Brasil e na Alemanha, os criadouros já registraram a reprodução das aves.

Reintroduzir a Ararinha-Azul na natureza não é tão simples. As aves que estão em cativeiro têm baixa variabilidade genética, alguns pares não conseguem se reproduzir, e os embriões têm dificuldade de se desenvolver. Além disso, alguns filhotes nascem com deformidades.

Embora existam dificuldades, as tentativas de reintrodução da Ararinha-Azul na natureza têm mostrado progresso nos últimos anos. Em 2013, sete ovos foram fertilizados artificialmente e dois tiveram filhotes. No ano seguinte, os três polos produziram filhotes, sendo naturalmente no Brasil. Em 2015, 20 filhotes nasceram; 23, em 2016; e 26, em 2017. Um total de 152 aves, sendo 11 no Brasil.

Unidades de Conservação
No dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, o Governo Federal assinou o Decreto 9042/18, para criar duas unidades de conservação da Ararinha Azul, na região de Curaçá, na Bahia. A ideia é que sejam áreas protegidas para conservar a espécie. Agora, o desafio é a efetiva implementação dessas unidades.

A  expectativa dos idealizadores do Projeto Ararinha-Azul, através do trabalho que já vem sendo realizado nos cativeiros, é de que as aves voltem a voar livremente em 2022.
Agência de Comunicação da UFRN 

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