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CARCINICULTURA: Departamento de Bioquímica da UFRN realiza pesquisa sobre a síndrome da mancha Branca

Professor do Departamento de Bioquímica  da UFRN, Daniel Lanza,
desenvolve ferramentas moleculares para detecção de patógenos de
interesse zootécnico e médico
Por Marcos Neruber

O professor do Departamento de Bioquímica (DBQ) do Centro de Biociências (CB), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Daniel Lanza, e seu grupo de pesquisa, tem procurado desenvolver, no Laboratório de Biologia Molecular Aplicada (LAPLIC), ferramentas moleculares para detecção de patógenos de interesse zootécnico e médico, de forma a auxiliar o desenvolvimento de áreas estratégicas para a economia do estado do Rio Grande do Norte e do Brasil.

Uma das linhas de pesquisa do grupo compreende o estudo dos principais vírus que afetam a carcinicultura no país e a aplicação de sistemas moleculares para detecção e monitoramento dessas doenças virais, como a Síndrome da Mancha Branca (WSSV). Esse trabalho tem sido realizado desde 2012 e tem revertido alguns resultados para pequenos e grandes produtores de camarão no estado.

Por meio de estudos de epidemiologia molecular, a equipe do LAPLIC conseguiu determinar que pelo menos cinco variantes do WSSV ocorrem no Rio Grande do Norte. Essas variantes podem estar associadas a diferentes perfis de desenvolvimento da doença. Outra aplicação, que tem sido explorada com sucesso pelo setor produtivo, consiste na utilização da detecção molecular para seleção de camarões reprodutores livres desse vírus, no intuito de evitar a dispersão dele por meio das pós-larvas.

A Síndrome da Mancha Branca, uma doença causada pelo White Spot Syndrome Virus (WSSV), tem sido considerada uma das doenças mais devastadoras para a carcinicultura mundial. Em três dias, as taxas de mortalidade nos viveiros podem atingir números superiores a 90%, dizimando a produção.

Até o momento não existem antivirais nem vacinas disponíveis. A melhor alternativa para o setor produtivo é a identificação precoce do patógeno por meio de técnicas moleculares, e a adoção de boas práticas de manejo e biossegurança. Para que seja realizada de forma eficiente, a identificação molecular de vírus depende da seleção de marcadores genéticos que contemplem diferentes regiões do genoma, de forma a eliminar o efeito de mutações. Para isso, é necessário um estudo detalhado dos genomas obtidos a partir de amostras biológicas da região alvo de ocorrência.

Dessa forma, a equipe do LAPLIC tem procurado estabelecer uma relação de parceria com o setor produtivo, no intuito de trocar experiências e aplicar conhecimentos que favoreçam as atividades regionais e nacionais. 

Identificação molecular
A equipe do Laboratório de Biologia Molecular Aplicada atua no desenvolvimento de novas tecnologias para detecção e controle de patógenos de importância zootécnica e para saúde humana.

Temos especial interesse no estudo de genomas virais e no desenvolvimento de ferramentas moleculares para detecção e controle de doenças virais. Nossa expertise inclui sequenciamento e análise de sequências, análises filogenéticas, seleção e validação de marcadores de DNA ou RNA, criação e validação de protocolos de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), caracterização estrutural e funcional de ácidos nucleicos in silico e in vitro, rastreamento genético e desenvolvimento e produção de aptâmeros”, destaca o professor Daniel Lanza.

Atualmente, o laboratório atua em três linhas de pesquisa: estudo da biologia de vírus que acometem a carcinicultura e desenvolvimento de ferramentas moleculares para detecção e controle; desenvolvimento de ferramentas moleculares para auxílio no diagnóstico de doenças infecciosas em seres humanos e triagem e produção de aptâmeros com potencial biotecnológico.

Da Universidade para o mercado
O setor de biociências tem crescido no Brasil nos últimos anos. As empresas que atuam nesse setor têm desempenhado um papel cada vez mais significativo na substituição de importações e na geração de inovações em áreas estratégicas, como o desenvolvimento de sistemas para auxílio ao diagnóstico, produção de vacinas, desenvolvimento de tratamentos, biodefensivos agrícolas e geração de biocombustíveis.

Os desafios para alavancar iniciativas desse tipo incluem a criação de ferramentas mais eficientes para a identificação de oportunidades, a definição de uma proposta clara de valor e a formação empreendedora direcionada aos profissionais que atuam na área.

De acordo com o professor do Departamento de Bioquímica e coordenador do Laboratório de Biologia Molecular, Daniel Lanza, o interesse do LAPLIC é em trabalhos relacionados à gestão da informação e mineração de dados. “Buscamos identificar oportunidades de mercado e forças e fraquezas em processos produtivos voltados à produção animal. A partir dos dados coletados nossa equipe elabora panoramas, que apontam algumas demandas. Essas demandas são a motivação para os projetos que realizamos no laboratório”, destaca.

Um dos nossos objetivos é fomentar o empreendedorismo em biociências. Sempre que possível as pesquisas realizadas no LAPLIC são direcionadas para geração de inovações em curto prazo. Com isso, pretendemos propiciar uma visão científica associada à formação empreendedora aos estudantes envolvidos nas atividades do laboratório”, ressalta Lanza.

O LAPLIC foi criado em janeiro de 2012, e funciona no Departamento de Bioquímica do Centro de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Para conhecer mais sobre as pesquisas do Laboratório de Biologia Molecular Aplicada basta acessar o site: www.laplic.com.br
Agência de Comunicação da UFRN

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