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AMBIENTE: Seca deixa municípios em colapso; pesquisas apontam que fenômeno também chegou a capital

Foto: Cícero Oliveira/Atualmente, existem 18 cidades em colapso
hídrico, fenômeno que acontece quando não há água suficiente
nos mananciais para o auto-abastecimento
Por Evelin Monteiro

A região seridoense do Rio Grande do Norte tem sofrido por cinco anos consecutivos os impactos negativos da seca. Devido à falta de precipitações, a estiagem prolongada castiga desde 2012 os sertanejos de 153 municípios potiguares e fez o Governo do Estado decretar situação de emergência. Esta é considerada a pior seca da história do estado e gerou R$ 4 bilhões de prejuízo para a economia potiguar.

O tema vem sendo estudado de forma permanente por membros do Grupo de Pesquisa em Dinâmicas Ambientais, Risco e Ordenamento do Território (Georisco), do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O membro do Georisco, Jhonathan Lima de Souza,  estudante da graduação em Geografia da UFRN, explica que a escassez das chuvas ocorre devido a um dos fatores responsáveis pelo sistema de circulação da terra: o El Niño, que ao se aproximar da Zona de Convergência Intertropical que fica acima do continente sul americano, próximo a linha do Equador, atinge o Nordeste impedindo a chegada da chuva e, consequentemente, trazendo o regime de estiagem.

Apesar de os fatores climáticos terem influência na crise, o estudante afirma que esses não são os únicos responsáveis pela seca desenfreada, mas que a gestão dos recursos hídricos pelos órgãos públicos são de extrema importância no combate aos efeitos negativos sobre a população em vulnerabilidade social. Com isso, a ausência de políticas públicas também é uma causador de impacto.

De acordo com o pesquisador e professor do Departamento de Geografia, Lutiane Queiroz de Almeida, a vulnerabilidade social é a principal protagonista dessa condição. “A população afetada está mais frágil aos eventos ambientais, e isso irá impactar nas relações socioeconômicas em função de problemas socioambientais oriundos da escassez de chuva”, afirma. Ainda segundo o pesquisador, não é possível combater a seca, mas criar medidas de adaptação.

Segundo Jhonathan Lima, o uso irregular da água pela indústria afeta o volume dos mananciais e a distribuição para consumo humano. “A pecuária, agricultura e fruticultura que são os que mais consomem água”, diz.

Com a irregularidade das chuvas, bacias hidrográficas, açudes e reservatórios não conseguem suprir a demanda da população. Importantes reservatórios do Rio Grande do Norte permanecem com baixo nível e alguns estão com volume inferior a 2% de suas capacidades, segundo análise do Instituto de Gestão de Águas do Rio Grande do Norte (IGARN) divulgada em abril.

Adaptação
De acordo com Jhonathan Lima, membro do Grupo de Pesquisa em Dinâmicas Ambientais, Risco e Ordenamento do Território (Georisco), apesar da seca ser um fenômeno natural é preciso realizar mecanismos de gestão hídrica para minimizar os efeitos da escassez por meio do monitoramento e a criação de cisternas, perfuração de poços, transposições, carros-pipa, o reflorestamento e o sistema de abastecimento por rodízio, por exemplo.

Com as cisternas, uma região afetada pela seca suporta até seis meses com água quando há regime regular de chuvas. Porém, a água pode se perder facilmente por evaporação. No sistema de rodízio, o abastecimento da água é feito em dias alternados para evitar o colapso. CONTINUE LENDO...

Agência de Comunicação da UFRN

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