PESQUISA: estudo indica a necessidade de adoção de mediadas de administração pesqueira do atum no oceano atlântico

Imagens cedidas Marcelo Lira. No total, foram analisados
10.350 exemplares de atuns, capturados entre dezembro
de 2007 e agosto de 2015.
Por Marcos Neruber

A pesca oceânica gera alimento, emprego, renda e se mostra importante em função da proximidade do Brasil das rotas migratórias dos atuns e afins. Dessa forma, estudos que relacionem a distribuição da abundância e estrutura populacional dos recursos pesqueiros com as variáveis ambientais e como essas relações influenciam na distribuição espaço-temporal, são essenciais para o estabelecimento de medidas que visem à exploração sustentável desses recursos. As pesquisas, também, buscam um melhor entendimento da dinâmica e composição das capturas da frota que opera com espinhel no Oceano Atlântico.

Esses foram os objetivos do projeto intitulado “Pesca de atuns e afins no Oceano Atlântico: interações oceanográficas, implicações socioeconômicas e tecnológicas” do mestrando Marcelo Gomes de Lira, orientado pelos professores Jorge Lins e Marcelo Nóbrega do Programa Regional de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA) do Centro de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

De acordo com Marcelo Lira, foram analisados os dados de desembarques da frota, que opera no Oceano Atlântico e está sediada no Rio Grande do Norte (RN), principal exportador brasileiro de atuns e afins, durante o período de 2006 a 2016.

Cerca de 80% das capturas em peso foram dos espécimes: Thunnus albacares (albacora-laje), Thunnus obesus (albacora-bandolim), Xiphias gladius (espadarte) e Prionace glauca (tubarão azul). A remuneração da tripulação, combustível, isca e material de pesca representaram 65% dos custos de produção”, destaca Marcelo Lira.

Segundo o pesquisador, também, foram analisadas as exportações dessas espécimes.“O RN exportou aproximadamente 77% de albacora-laje fresco e 26% congelado, 92% de albacora-bandolim  fresco e 90% congelado e 55% de espadarte fresco e 95% congelados. Ainda foi analisada a distribuição espaço-temporal de albacora-laje. albacares, uma das principais espécies capturadas pela frota espinheleira do RN e suas relações com as características oceanográficas das águas do Oceano Atlântico”, explica Marcelo Lira.

Foram analisados os dados de desembarques da frota, que opera no
Oceano Atlântico e está sediada no Rio Grande do Norte (RN),
principal exportador brasileiro de atuns e afins, durante
o período de 2006 a 2016.
Método
Para este estudo foram utilizados dados de captura da frota espinheleira sediada no estado do Rio Grande do Norte, bem como dados de temperatura da superfície do mar (TSM), de clorofila-a (Chl-a), da área compreendida entre 42,2° e 24,8° W e 5,9° S e 8,8° N, além de dados relativos ao ciclo lunar para o período estudado.

A metodologia empregada para modelar o efeito das variáveis sobre a captura por unidade de esforço (CPUE) e o comprimento dos indivíduos capturados foi o método Modelos Lineares Generalizados (GLM)”, explica o pesquisador.

No total, foram analisados 10.350 exemplares de atuns, capturados entre dezembro de 2007 e agosto de 2015.

Resultados
Dentre os principais resultados obtidos, destacam-se a distribuição, a abundância e a estrutura de comprimento da espécie albacora-laje que estão fortemente relacionadas com variáveis ambientais (fases da lua, TSM e Chl-a), temporais (trimestre e ano) e espaciais (latitude e longitude), e que a alta proporção de exemplares juvenis de albacora-laje, o que indica a necessidade de adoção de medidas de administração pesqueira, visando à conservação deste estoque.
Agência de Comunicação da UFRN

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