Grupo de Extensão alia música, irreverência e bom humor em festival internacional

Foto: Rita Machado
Por Marina Gadelha/Wilson Galvão

Em meio à formalidade de coros tradicionais, um grupo com gingado, descontração, senso crítico e qualidade musical chamou atenção no I International FestiCoral Praia, realizado no início de dezembro em Cabo Verde, no continente africano. A brasilidade do projeto de extensão Grupo Vocal Acorde, da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN), conquistou o público por onde passou em sua primeira turnê internacional que percorreu a Ilha de Santiago, principal do país.

Em sete dias de viagem, o grupo, com apoio operacional do Núcleo Pegadas, realizou nove apresentações nas cidades de São Domingos, Calheta, Tarrafal, Cidade Velha e Assomada, além da capital, Praia, onde teve início o evento que contou com a presença do presidente do país africano, Jorge Carlos Fonseca, e do ministro da Cultura, Abraão Vicente. Já no primeiro dia, a interpretação musical e cênica dos potiguares surpreendeu o público pela originalidade das atuações mescladas às canções.

Essa é uma das principais características do Grupo Vocal Acorde, que levou para Cabo Verde o samba, o funk, o xote e o repaginado brega de Carlos Alexandre, cantor do Rio Grande do Norte famoso entre as décadas de 1970 e 1980. “Escolhemos músicas que representassem o nosso estado e o Brasil, por isso não tínhamos certeza de como seria a receptividade. Para nossa surpresa, o público adorou e inclusive nos pediu para repetir as preferidas”, lembra o diretor musical e preparador vocal do grupo, regente Gilmar Bedaque de Paula Júnior.

A encenação das músicas “Vá pra a Cadeia” e “Senhor Delegado”, de Carlos Alexandre, arrancou muitas gargalhadas e pedidos de bis. Nem mesmo o presidente Jorge Carlos Fonseca escondeu a empolgação ao se divertir e aplaudir de pé a apresentação papa-jerimum. Das mãos dele, os integrantes receberam o troféu de participação no festival que proporcionou a primeira vivência internacional do grupo e um rico intercâmbio cultural em cada lugar visitado, além da interação com as comunidades da região.

Experiências multiculturais
De acordo com um dos componentes e professor da UFRN, Oswaldo Negrão, a experiência foi fantástica em vários sentidos, desde o contato com os sabores da gastronomia até a música local. “Fizemos oficina improvisada de samba, conhecemos instrumentos e assistimos a apresentações artísticas que nos deixaram encantados pelos ritmos e pela dança africana”, ressalta. A turnê ainda propiciou trocas de conhecimentos com os demais coros que se apresentaram conjuntamente com os brasileiros. Participaram do festival os grupos Voz D’alma (Cabo Verde), Embracanto (Brasil), Coro dos Antigos Estudantes de Coimbra (Portugal) e o anfitrião Orfeão da Praia (Cabo Verde), realizador do evento.

Para Gilmar Bedaque, a vivência enriqueceu a versatilidade musical do grupo. “Aprendemos outras maneiras de fazer música tanto com a população cabo-verdiana quanto com os grupos de outras nacionalidades. Misturamos a morna, o fado, o samba, entre outros ritmos em uma grande celebração aos países de língua portuguesa. Esse intercâmbio ficará marcado na história do Grupo Acorde e, com certeza, vai influenciar os nossos próximos trabalhos”. Após o sucesso em Cabo Verde, os integrantes esperam conquistar novas oportunidades internacionais já sugeridas por pessoas de outros países que conheceram o trabalho potiguar durante o festival.

Desafios e conquistas
O Grupo Vocal Acorde surgiu em 1997 e, até este ano, não havia ultrapassado os limites do Nordeste brasileiro. “Planejávamos expandir nossas apresentações para as demais regiões do País, mas não imaginávamos que chegaríamos ainda mais longe”, declara Gilmar Bedaque. O convite para o festival em Cabo Verde foi feito pelo grupo Orfeão da Praia, que em 2015 participou de um evento musical em Maceió, capital de Alagoas, e lá conheceu os potiguares da EMUFRN. A ida para o país africano, no entanto, só foi possível graças a um mutirão de solidariedade para angariar recursos financeiros.

A produtora do grupo, Mariana Hardi, explica que a concretização da viagem se deu após campanhas de arrecadação para custear os gastos com passagens aéreas, passaportes e vistos. A mobilização foi feita por meio de financiamento coletivo, vendas de brindes e ingressos, aquisição de patrocínios, colaboração de outros corais, entre outras iniciativas que tornaram possível a turnê além-mar. 

Quem trabalha com produção cultural sabe que a cidade ferve de arte, mas é muito difícil ter a visibilidade necessária para a sociedade consumir a criação cultural da terra e, assim, gerar a renda necessária para movimentar a criação artística. No entanto, vale a pena continuar lutando em busca de novas conquistas”, observa Mariana Hardi. 

Assim segue há mais de 15 anos o Grupo Vocal Acorde, formado por 10 cantores, entre professores, estudantes e pessoas da comunidade, além de quatro instrumentistas e uma equipe responsável pela preparação vocal, preparação corporal, direção cênica, assessoria de comunicação e produção. Novos planos são traçados e um novo espetáculo está em processo de montagem para dar lugar ao “O homem da feiticeira”, apresentado desde 2015 pelo grupo.

Outras informações e a agenda de apresentações estão disponíveis no site www.grupoacorde.com.br e nas mídias sociais: Instagram @grupoacorde e Facebook Grupo Vocal Acorde.
ASCOM – Reitoria/UFRN

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