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PÓS-MODERNIDADE OU FIM DA PICADA? - Primeiro ensaio

Por Tássio Ricelly
Estudante de Filosofia e Bolsista do CNPq

Provocar uma reflexão acerca do tempo em que vivemos é o intuito deste simples ensaio, mas não prometo conseguir. Para tanto, tentei de forma humorada comparar “o hoje” com o “fim da picada”, este ditado popular tão usado no nosso cotidiano. A palavra picada, além de seu sentido mais comum, significa uma passagem estreita ou larga, aberta no mato, para acesso a certo ponto. Logo, o "fim da picada" é o lugar onde não se tem mais uma trilha no mato, é o "fim do caminho". Será que podemos afirmar que estamos no “fim do caminho”? Será mesmo que a modernidade chegou ao fim? Podemos afirmar que já vivemos na pós-modernidade?

É comum lermos em artigos de revistas e jornais o termo “pós-modernidade”, este, acredito, muitas vezes mal aplicado, carrega como plano de fundo a ideia de que a modernidade acabou, e que estamos em um tempo posterior a ela. No entanto, a modernidade ainda não cessou, em primeiro lugar não há nada de pós-moderno na ciência. O sentimento que a motiva ainda é o mesmo, a ganância guiada pelo progresso econômico. Ela é aplicada cegamente para fins destrutivos, como é o caso da corrida armamentista. Apesar das benesses que a racionalidade científica nos concede, não podemos fechar os olhos para em que ela transformou a sociedade. Vivemos em um mundo economicamente matematizado, onde a essência foi substituída pela quantidade, em outras palavras, o sentimento que nos orienta é o que nos faz gritar: “quanto mais, melhor”. Quanto mais dinheiro, melhor; quanto mais títulos acadêmicos, melhor; quanto mais parceiros(as) sexuais, melhor. Nada me parece avançado, nada me parece “pós” isto ou aquilo. Creio que houve – no mínimo – um retrocesso moral, senão, o “fim da picada”.

      O Iluminismo que inaugura o sentimento de maioridade que caracteriza a modernidade anunciou um homem livre da opressão religiosa, do obscurantismo, das trevas medievais. Entretanto, a mesma modernidade que libertou o homem da fé, ou melhor, dá submissão religiosa, o sujeitou ao capitalismo (questão que trataremos em um segundo ensaio). Portanto, concordo com Rouanet[1] ao afirmar que, não há pós-modernidade, mas sim, uma imensa vontade de nos afirmarmos pós-modernos, pois já não suportamos o nosso tempo.





[1] Paulo Sergio Rouanet é filósofo e professor na Universidade de Brasília – UNB, escreveu vários livros de repercussão internacional, entre eles As razões do Iluminismo

Comentários

  1. Com sempre, os textos de Tasso uma pintura. Gostei demais. Rapaz inteligente esse.

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  2. Gostei muito do artigo, bem reflexivo!

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